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Brasil,
colônia de banqueiros (parte
do livro de Gustavo Barroso)
“O Estado
liberal-democrático, adotando todas as normas do liberalismo econômico,
facilitou a expansão dessa força dominadora. Havendo todos os povos
erigido ao capital o culto de suas homenagens, esse novo Deus passou a
oprimir os governos, a assoberbar os Estados, na sua marcha avassaladora.
Tendo –se facilitado tudo ao capital, este passou a atentar contar os
princípios fundamentais da civilização cristã, como sejam o principio
da família e o principio da nação. O
capitalismo é hoje, no mundo, um permanente proletarizador das massas, um
continuo transmutador de valores morais, um açambarcador de economias
privadas, um opressor da agricultura, da industria e do comercio, tudo
submetendo ao seu império. O
capitalismo organizado, segundo a rota que lhe traçou Karl Marx, torna-se
o inimigo do próprio capital. Pois o capital é a conseqüência natural
do principio da propriedade, ao passo que o capitalismo organizado é a
negação daquele principio. Na
sua marcha avassaladora, a organização capitalista do mundo procura,
antes de tudo, penetrar no organismo das nações, afim de aniquila-lo.
Começa portanto, pela escravização dos governos. Essa
escravização se opera através dos “favores”, dos empréstimos, pois
o primeiro passo para tornar um governo escravo é torna-lo devedor. Quando
essa potestade internacional pretende reduzir um povo às condições de
escravo, o que ela faz naturalmente não é mandar exércitos: manda
banqueiros. Assim,
prossegue a marcha da escravidão de um povo. Os empréstimos se
multiplicam; as emissões espinhosas se reproduzem; as operações e negócios
estabelecem a trama com que se manieta a nacionalidade. E um país que
chegou a esse ponto não tem mais do que deixar-se sugar pelo tremendo
polvo que lhe lançou as antenas. Pois a confusão se estabelece em todos
os quadrantes da vida nacional. Os
partidos políticos, em cuja proa aparece a catadura dos amigos dos
banqueiros, assumem atitudes as mais variadas, para iludir o povo, ora com
o regionalismo separatista, ora com o acenar novas e maiores liberdades,
ora a defender obscuros princípios revolucionários. O povo aplaude e
acompanha esses políticos que estendem sobre os banqueiros internacionais
a clâmide pura de suas intenções patrióticas, sagrando-os amigos da Pátria.
O
exame de todas as transações, efetuadas pelos nossos governos, o alarma
nacional contra a avassaladora influencia de grupos financeiros que aqui
exploram e se dissimulam em mil faces, muitas verdadeiramente simpáticas,
mas todas expressivas da mesma inexorável política subterrânea, a
atitude franca, leal e decisiva contra qualquer tentativa, por parte de
políticos, de partidos ou de homens públicos, no sentido de acobertar os
latrocínios, que matam toda a vitalidade nacional, tudo isso são deveres
que se impõem á nova geração brasileira. Libertar
o Estado das forças que se formam a ele paralelas; impor a autoridade da
nação, acima de tudo; ir á extremas conseqüências de uma campanha sem
tréguas. Esse o verdadeira caminho do povo brasileiro e principalmente da
sua mocidade.”
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