POLÍTICOSQue tem a ver um com o outro? Tudo, pois é
através do modelo político que se pode depreender as variáveis atitudes, quer
científicas ou culturais, cívicas ou éticas, regionais ou globais. Ecologia é o
estudo do todo com tudo; a interação homem/natureza, sem abstrações de nenhuma
espécie. Assim, para que se possa civicamente defender espécies, ecossistemas e
organização social, deve-se, prioritariamente, buscar o paradigma da
sustentabilidade ecológica em seus termos físico e psicossocial. Somente
através desta compreensão estaremos, de fato, defendo o que deve e pode ser
defendido, engrandecendo a Pátria!
Os modelos políticos atuais guardam bastante
semelhança com o despotismo dos grandes impérios dos primeiros
séculos.
Podem argumentar que inexiste essa relação, porque
aqueles eram truculentos, em razão do imperativo da conquista, ao passo que a
metodologia moderna, arrimada na psicologia, não obriga ninguém a fazer coisas
contra sua vontade.
É questão de pura retórica. O escravismo persiste,
mesmo sob o manto disfarçado da "democracia"...
As armas bélicas foram substituídas pelo capital
que, concentrado nas mão de grupos, manipulam, com extrema doçura, a vontade
popular, através de uma mídia habilidosamente voltada para a defesa dos
objetivos grupais.
Democracia distorcida vira "plutocracia", quando é
impossível falar a linguagem do povo em suas aspirações. O elemento-chave da
representação político-administrativa -o eleitor- raramente consegue exergar
saída para as questões prioritárias, fora do quadro partidário vigorante,
astuciosamente montado para as querelas eleitorais, que ocorrem
continuamente...
Assim, temos vários "partidos" defendendo grupos
privados, divorciados da realidade sócio-econômica do país. Essa prática ocorre
junto às legendas, tanto de direita como de esquerda, pois elas tratam, apenas,
de seus interesses maiores, atreladas que estão à mística materialista:
produção, consumo, lucro. Às favas com o resto, especialmente com a
Ecologia!
Eufemisticamente, cumpre-se o ritual da
obsolescência nos setores vitais da cultura e da educação; irrigam-se áreas de
desperdício e de futilidade para saciar o povo de "pão e circo", nos moldes do
maquiavelismo romanesco, com que os jogos possam substituir a
essencialidade.
As agremiações partidárias são "criadas" em função
das necessidades corporativas, propiciando aumento de fisiologismo que
perpetua o mando e a obediência na razão direta dos interesses maiores dos
detentores do poder e seus apadrinhados, em qualquer corrente
filosófico-partidária, porque as vantagens e favores não têm
coloração...
Este é um parco resumo do que se está a assistir,
passivamente, diante do quadro administrativo atual, quadro este absolutamente
comprometido com valores divorciados das necessidades
comunitárias.
ESTADOS E
MUNICÍPIO
Copiando o modelo norte-americano, trocamos a
província pelo estado, tentando impactar a comunidade, mas essa impressão não
trouxe reais benefícios ao povo, pelo fato de os States terem votado uma
constituição federal bem genérica, outorgando forte dose de poderes aos
estados-membros, os quais legislam mais à vontade do que
aqui.
Dir-se-ia que ficamos na contramão da história:
aplaudimos a "modernidade", mas permanecemos na antigüidade, com poderes
restritos, um tremendo emaranhado legislativo, excesso tributador, condenando os
núcleos principais, os municípios, à condição de filhos espúrios, os quais não
conseguem conduzir sua administração sem beijar a mão dos situados em instâncias
superiores.
O quadro, conflitante e caótico, é bom para quem
manda; ruim para quem deve obedecer e sobretudo...votar!
Poderes distribuídos deveriam funcionar
harmoniosamente, mas a interferência "política" cria ranços, adultera a
independência exigível para aplicação das quotas de felicidade, a que se propõe
a "Política"(ciência).
Como gerenciar essa distribuição de poderes, de
forma que um não interfira com o outro, e ganhe a nação qualitativamente?
Impossível, sob a ótica dos interesses grupais, fazer convergir direitos e
deveres para uns, sem idêntica contrapartida para os demais.
Sem essa condição essencial à compreensão de
direitos e deveres, fenece a cidadania, fazendo submergir, também, a dignidade.
Perdendo ambas, só nos resta o caminho do opróbrio, da vergonha, a que estamos
submetidos, sem alternativa viável para a auto-determinação.
Nossa constituição, elaborada sem nenhuma
participação comunitária, contempla o sistema republicano-federativo bem
tupiniquim: concentram-se os poderes nas mãos executivas, fazendo com que os
parceiros, legisladores, se obriguem ao cumprimento de normas e regimentos
defectivos; ou se "dobram" ao poder, ou são defenestrados!
Vê-se, por conseguinte, que o modelo é espúrio, se
não ditatorial, pelo menos altamente concentrador de poder. E isto vale tanto
para as facções de direita como de esquerda: todos perseguem posições... de
mando, sempre.
Amarrados aos estados, os municípios brasileiros
não conseguiram, ainda, sua alforria completa, embora estejam contemplados
constitucionalmente com quireras libertárias, tão ínfimas que desmerecem
participar de um sistema qualquer. Na monarquia, ainda tinham certos
privilégios, cassados pela República!
Como reverter tudo isto? Como acreditar que um só
"partido" tenha, de fato, pendores municipalistas, de tal forma autênticos, a
ponto de propor (e conseguir) a reforma da constituição em benefício da
comunidade? Difícil, difícil, difícil.
O modelo republicano-federativo imposto pelas
armas em 15 de novembro de 1889 não avançou nos caminhos da igualdade e da
fraternidade, ainda que tenha "concedido" certa parcela de liberdade ao nosso
povo! Faltou fôlego para reformas institucionais que tirem as cidades do
enclausuramento servil a que estão condenadas.
CIDADES-ESTADOS
Sem voltar os olhos para o passado, quando elas
prosperaram em artes e na guerra, o modelo precisa ser restabelecido e
revigorado, pois representa a derradeira alternativa para incorporar a defesa
ecológica com a defesa psicossocial da comunidade, na luta contra a globalização
que tudo envolve.
Elas propugnam pela liberdade em seu aspecto
total, com respaldo na Ética e no bom-senso, além de o respeito global pela
forma de pensar e optar profissionalmente.
Elas podem, também, criar mecanismos próprios de
ecodesenvolvimento (desenvolvimento local sustentável), primando pela proteção,
tanto da espécie hominal como da animal, como pela equitativa distribuição do
"progresso".
Elas podem, igualmente, gerenciar seu espaço de
modo a propiciar o bem-estar de seus moradores. Podem comerciar, livremente,
abrir espaço e fronteiras econômicas tão vantajosas que correm o risco
de...enriquecer o estado!
Podem solver o drama do desemprego, com
alternativas pessoais, não encontráveis em políticas globais, que desprezam o
artífice, o artesão, o artista. Podem revolucionar os mecanismos burocráticos
impostos pelo estado ou pela União, instituindo projetos bancários
autenticamente municipalistas, e prestação de serviços de indiscutível
serventia.
Podem proporcionar aos comunais (moradores) a
participação nas decisões que os afetam, através da instituição de grupos de
ação ecopolítica, divididos em conselhos, ou seja, Conselhos Celulares (para as
famílias) e Magnos Conselhos Municipais (para a gerência administrativa das
cidades).
Câmara e Magno Conselho Municipal constituiriam os
poderes normativos e fiscalizadores, enquanto que o executivo teria as mãos
livres para exercitar suas funções, respeitando princípios
jurídico-institucionais legítimos.
Razões assistem, de sobra, às exigências para o
estabelecimento deste modelo defendido pela doutrina socioecológica
Fraternalismo, lançada pela AME-Associação Mundial de Ecologia, em 1995, na
esteira do que prega a Agenda 21 local, buscando a paz com justiça social, além
da proteção a ecossistemas e espécies.
Se Hong-Kong, Macau, Vaticano, Mônaco, San Marino,
Luxemburgo e Lichenstein se converteram em cidades-estados, não o fizeram por
mero diletantismo, mas porque interesses sócio-econômicos falaram mais alto,
quando se tratou de elaborar um modelo sumamente humanizado para gáudio de seus
habitantes e países.
ECO-CITY E
ECO-MUNICÍPIO
As primeiras, Eco-cities, constituiram (e
constituem ainda) um tipo de cidade-modelar, em termos de ocupação espacial,
gerência urbana, moradia e transportes racionais, escolaridade, redundando, tudo
isto, em quase perfeita qualidade de vida, olvidada, porém, da justiça
social...
Mas, embora elas tenham sido comentadas e
perseguidas, como tipo especial de "modus vivendi", a ponto de despertar atenção
inusitada de vários países europeus, não se comparam ao modelo defendido pelo
Fraternalismo, denominado Eco-município.
Diferentemente das Eco-cities, os Eco-municípios
querem dotar as famílias dos municípios de poderes institucionais
(Conselhos Celulares), desaguando na formação do Magno Conselho
Municipal, principal órgão gestor da cidade, que se encarregará das contas
públicas (erário), da triagem de projetos e compras, liberando, tanto a câmara
municipal como o executivo para suas funções sacrossantas de bem
administrar o burgo.
É algo diferente do gerente de cidade, que
nos quer impor o neoliberalismo!
A participação popular é reivindicação histórica,
tendo surtido efeito em inúmeras cidades que a experimentaram. Somente através
de um modelo que estimule e aperfeiçoe a igualdade, não em termos românticos,
mas sim substancialmente, distribuindo direitos e deveres, se chegará à
genuina cidadania, ou a um modelo medularmente
Ecodemocrático!
Tal ocorreu na "cidade-estado"Roma, quando as
guerras de conquistas ainda não haviam começado. Depois, contudo, evoluindo de
cidade-estado para Império, o processo citadino comprometeu-se; o senado já não
era a voz do povo, mas a despótica vontade dos imperadores.
Na Grécia antiga, entretanto, as cidades-estados
prosperaram, mostrando o lado positivo da administração ecodemocrática, sem
se
importar com as "vantagens" de agrupar comunidades
em torno de um "estado-forte", mas sim em outorgar prioridades ao povo, em
matéria de benefícios sociais.
O Eco-município inibe o corporativismo, bem como o
fisiologismo; liquida a centralização administrativa, sempre nas mãos do
executivo, deixando ao léu os poderes fiscalizadores do legislativo. Somente um
modelo genuinamente popular, que represente os anseios das famílias da nação,
terá condições de instituir a reengenharia política, de baixo para cima! Este
anseio está consubstanciado nas diretrizes da Agenda 21, a qual preconiza
atitudes comunitárias para barrar e contestar o despotismo político dos modelos
capitalista e socialista, ambos, indubitavelmente, desprovidos de valores
éticos, ou mesmo de princípios filosófico-espiritualistas!
Por fim, o Eco-município será o último baluarte
agregador de valores comunitários com objetivos definidos, em termos de
salvaguarda de transformação do quadro reinante que, além de destruidor,
ecologicamente falando, é esmagador da cidadania e carrasco da ética e da
dignidade.
E C O D E M O C R A C I
A
O Eco-município propicia, a curto prazo, um regime
não plutocrático (porque de democrático o regime atual tem quase nada...),
autêntico, profundamente comunal, voltado exclusivamente para os interesses das
classes sociais, não de grupos econômicos. Esse regime é denominado de
Ecodemocrático, porque se volta para os predicados inerentes da defesa ecológica
e da reorganização do Estado, através dos municípios, isto é, de baixo para
cima, contrastando a posição autocrática que nos quer impingir, sempre,
modelos e atitudes, de cima para baixo!
Se vivemos e/ou trabalhamos no município, é
natural que façamos por ter este nosso espaço devidamente estruturado, de tal
forma que não falte trabalho a ninguém, nem saúde, educação, transporte, moradia
e liberdade. Se pudermos equilibrar a produção com o consumo, sem resvalarmos no
perigo de inflacionarmos a moeda, teremos resolvido um grande passo da economia.
Estaremos defendendo e praticando a verdadeira ecologia.
Este regime propicia o aproveitamento dos valores
humanos, em qualquer segmento, sem atentar para a posição social, côr, ou credo
religioso. Reconhece o potencial da individualidade na formação do quadro
comunal. Sobressaem, por conseguinte, os genuinos valores, mas não se desprezam,
de forma alguma, os incapacitados por qualquer motivo, pois a sociedade tem
deveres maiores, acima de divegências passionais ou equidistâncias
psíquicas.
Tal é, na prática, como funciona a Ecodemocracia,
um regime de igualdade, liberdade e solidariedade, adstritos, estes predicados,
ao bem comum, que fazem, num conjunto maior, a felicidade da
nação.
tica, como funciona a Ecodemocracia,
um regime de igualdade, liberdade e solidariedade, adstritos, estes predicados,
ao bem comum, que fazem, num conjunto maior, a felicidade da
nação.