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 O Brasil precisa de
uma Revolução
Ecopolítica
Até agora as revoluções
foram meramente pessoais, sem nenhum projeto social. Está na hora de
prepararmos o povo para mudanças estruturais, sem o que a natureza será
saqueada e o povo, pisoteado sempre!
Em 1889, não aconteceu uma
revolução: apenas um grupo de militares buscou em Deodoro um ídolo para
chegar ao poder e transformar o Brasil no que Gustavo Barroso denominou de
"Colônia de banqueiros", através de vultosos empréstimos
internacionais que iriam onerar a Nação.
Prometendo muito, assim nasceu a
República dos ESTADOS UNIDOS do Brasil, com cara de confederação mas
apenas uma federação truculenta, imperialista, coisa muito apropriada a
um Sistema Econômico para instruir "administradores"
servis que obedeceriam totalmente aos seus amos capitalistas!
Sem revolução que espelhasse a
vontade popular (o povo nunca é consultado pela burguesia), foi-nos
imposta essa forma de governo anti-democrática, centralizadora,
anti-ecológica e plutocrática, ou seja, sob o Poder dos donos das terras
e dos bancos.
É de se acreditar piamente que a
"revolução" fora fabricada unicamente para contrair
empréstimos, que geraram gordas comissões à Elite e aos seus políticos
profissionais, do que para dar ao País um modelo desenvolvimentista, sem
o sacrifício extenuante de nossa população.
Pode até ter sido
"inspirada" fora do País, mas foi mais para subjugá-lo ao
Capital financeiro internacional do que fruto de idéias nacionalistas,
como também aconteceu com a Independência, em 1822, astuciosamente
engendrada para cobrir as dívidas de Portugal, o que Diogo Feijó já
havia percebido e, por isso, em plenas Cortes de Lisboa, lançou o grito
da verdadeira Independência brasileira...
Senão, vejamos os porquês da
pressa em conceder alforria ao Brasil:
Empréstimos do Brasil, desde 1824
Independência cara, República
extorsiva
O 7 de setembro foi em 1822. Mas,
Portugal devia 2 milhões de libras esterlinas à Inglaterra. E o Brasil
foi logo obrigado a assumir a dívida. Em agosto de 1824, o Brasil tomou
aos banqueiros ingleses 3 milhões de libras, dos quais 2 milhões ficaram
para a dívida dos portugueses e vieram 450 mil libras. Por esses 3
milhões de libras, o Brasil pagou 9 milhões e 50 mil. No ano seguinte,
em 1825, o Brasil tomou mais 1 milhão e 400 mil libras, pelas quais pagou
3 milhões. Foram os dois primeiros de uma série.
Condições
As "condições" dos
empréstimos jogavam o Brasil no buraco: "Transferência de 75%,
juros de 5%, despesas do empréstimo e mais comissões de 4% para os
intermediários ingleses e brasileiros, monopólio (sic, dos banqueiros)
das compras de que carecesse o Brasil, 2,5% de comissão sobre a compra ou
venda de qualquer mercadoria do Brasil ou para o Brasil, 1% sobre a venda
de ouro ou prata, 1% sobre todas as letras de câmbio, meio por 0,5% sobre
todos os seguros de embarque de ouro e prata e demais transações" (sic).
Empréstimos
1824: tomou 3.000.000, recebeu
2.450.000, pagou 9.050.000.
1825: tomou 1.400.000, recebeu 1.400.000, pagou 3.000.000.
1827: tomou 769.200, recebeu 208.000, pagou 1.950.000.
1839: tomou 212.5000, recebeu 237.500, pagou 503.000.
1843: tomou 732.600, recebeu 622.702, pagou 1.465.200.
1852: tomou 1.040.600, recebeu 954.250, pagou 2.294.523.
1858: tomou 1.526.500, recebeu 1.360.275, pagou 3.366.500.
1859: tomou 508.000, recebeu 460.000, pagou 1.270.000.
1860: tomou 1.210.000, recebeu 1.089.000, pagou 3.025.000.
1863: tomou 3.855.307, recebeu 2.904.000, pagou 8.426.863.
1865: tomou 5.147.000, recebeu 3.700.000, pagou 14.668.950.
1871: tomou 3.459.634, recebeu 2.670.000, pagou 10.031.938.
1875: tomou 5.301.191, recebeu 4.825.000, pagou 10.072.263.
1883: tomou 4.596.600, recebeu 3.560.000, pagou 18.475.128.
1886: tomou 6.431.000, recebeu 5.700.000, pagou 11.897.350.
1888: tomou 6.257.300, recebeu 6.000.000, pagou 14.548.885.
1889: tomou 17.213.500, recebeu 15.492.150, pagou 38.521.730.
Total :
tomou 62.760.932, recebeu 51.632.877, a pagar 152.11.251.
Ainda que levemente obrigado a
contrair empréstimos fora, o Brasil-Império, desde a proclamação da
Independência, pactuava com essas "forças ocultas", através
de socorro financeiro, com que se acenava para o futuro do gigante
adormecido.
Nosso drama vem de longe, como
afirma Barroso, e tem seguimento um tanto quanto misterioso, como podemos
verificar:
Empréstimo de 1893 com Rotschild
(Inglaterra), para a Estrada de Ferro Oeste de Minas, no valor de
2.968.000 libras esterlinas, a juros de 5% para 30 anos, elevando o
montante a 9.273.000, em 1923; Empréstimo de 1895, de 6.000.000 libras
esterlinas, também para 30 anos, dando em 1925 o valor de 18.605.000 de
libras; Empréstimo de 1898 (1º funding), com bônus, no valor de
8.613.717 libras esterlinas, a 5% para 63 anos, significando que em 1961
pagamos 27.283.218.
E, durante a República, o jogo
continuou o mesmo: já em 1901, tomou-se, por 61 anos, avaliando que os
empréstimos anteriores seriam "fundidos" num só (em 1930 era
de 9.773.440), nos custaria até 1962 a bagatela de 29.280.000 de libras
esterlinas!... Em 18/5/1903 novo empréstimo: 8.500.000 a 5% de juros,
para 30 anos, custando em 1933 a insignificância de 21.250.000!
Com a França, agora, novos
empréstimos: em 1909 para Estrada de Ferro Noroeste 100.000 francos, a
5%, custando, em 1959, 350.000.000 francos. Em 1910, para o porto de
Recife, mais 40.000.000 francos, para 50 anos, a 5% de juros; em 1950
pagamos 140.000.000 de francos. Em 1910, para Estrada de Fero de Goiás
(que nunca foi construída, malandragem pois), pedimos 100.000.00 de
francos para 50 anos, a juros de 4%, mas em 1930 devíamos 95.677.980 e
pagamos 80.000.000 de juros. Em 1960, a brincadeira ficou em 300.000.000
de francos! Em 1911, para conclusão das obras do porto do Rio de Janeiro,
pedimos 4.500.000 para 16 anos, concluindo na dívida total de 7.380.000.
e, ainda em 1911, pedimos mais 60.000.00 à França, a 4%, para 56 anos;
em 1967 teríamos pago 194.400.000!
Em 1913, voltamos aos Rotschild,
para pedir 11.000.000 de libras esterlinas a fim de construirmos ferrovias
e portos. Nada foi feito, mas o valor total, em 40 anos, ou seja, em 1953
chegou a 33.000.000 de libras. Em 1921, como garantia da renda do imposto
de consumo, pedimos 50.000.000 de libras, mas recebemos apenas 45.000.000.
Os juros eram 80.000.000 em 20 anos (1941) totalizando 130.000.000 de
libras esterlinas!!!
E a farra vai continuar?!
Estados e Municípios brasileiros
também entraram na folia carnavalesca dos empréstimos para onerar
definitivamente o futuro do País. É extremamente vultosa a relação
afirmada por Gustavo Barroso, em sua esclarecedora obra literária, que
pouquíssima gente possui e tem coragem de ler e divulgar, no Brasil.
Santo Tomás de Aquino dizia que Civitas
est totum, ou seja civilização é tudo, mas convém afirmarmos, em
cima dessa premissa que Urbe est totum, "cidade é tudo", porque
as cidades (ou municípios) é que produzem, enquanto os Estados e a
União apenas sugam o nosso trabalho, crivando-nos de impostos
escorchantes para que a dominação imperialista continue e o modelito
não permita o desenvolvimento sustentável com justiça social.
"As sucessivas gerações da
mesma Elite político-econômica, primeiro portuguesa-colonial, depois
luso-brasileira, e finalmente brasileira, fizeram do Brasil uma
"casa-grande" – a do Poder, e uma "senzala" – a do
Povo, para cumprir as determinações que foram da Coroa bragantina, e
depois da República, sob a ideologia de um Poder feudalizante e
asfixiante embasado na Plutocracia: esse Poder dos ricos que chega ao
cúmulo de determinar o Voto Obrigatório e "Democrático"...?!,
para defender a sua perenidade no Poder. Um modelo de Política
colonizadora que anula quaisquer sonhos de Liberdade e de Justiça
Social", como afirmou o historiador João Barcellos, na Livraria da
Vila, na noite de 23 de setembro de 2008.
Assim, é preciso que uma Política
Municipalista, comunitariamente autêntica, seja perspectivada para dar
sustentabilidade a uma Nova Ordem polítco-administrativa para que o
Brasil se liberte, de fato, do colonialismo.
Revolução Ecopolítica
Algumas ONGs dedicadas ao estudo e
defesa do meio-ambiente (ambiente natural, no dizer de Lutzenberger)
continuam mirando apenas no supérfluo, ou seja, nos estudos do meio
físico, enquanto que Ecologia, ciência da interação entre homem e
natureza, para esses grupos, não passa de diletantismo, retórica ou
"blá-blá-blá" a favor de espécies e ecossistemas,
esquecendo-se que tudo está essencialmente relacionado com tudo e com
todos. É dever, pois, da Ecologia, estudar todos os aspectos que envolvam
as demais ciências e tecnologias, já que a ação humana não é
produzida no vácuo sideral...
Ora, como agir
"localmente", segundo as recomendações da RIO-92 (Conferência
do Meio Ambiente e Desenvolvimento), se deixamos de lado formas de governo
e modelos políticos, exatamente quando eles são os principais
responsáveis pelos desastres ecológicos, que vão desde as catástrofes
físicas (provocadas) até às conseqüências advindas dos atos
governamentais?
Se todos os atos sociais são ao
mesmo tempo políticos, não temos como separar nada de nada, tudo está
interligado, eis que precisamos rever nossa postura com relação à forma
administrativa da nação, dos estados e também dos municípios,
exatamente onde se dá a produção, porque aqueles, Estados e União,
nada fabricam nem produzem, apenas sugam!
Uma revolução ecopolítica
precisa ser preparada a fim de transformar radicalmente nosso modo de
pensar com relação à "democracia" que nos é impingida, de cima
para baixo, e virarmos esta página nefasta da vida política
brasileira, pugnando pela mudança racional do modelo, mas de baixo
para cima, como previra o saudoso geógrafo Milton Santos.
Esta revolução, que esperamos
atinja plenamente os que ainda podem pensar e raciocinar, tem de acontecer
em curto espaço de tempo, não mais de 10 anos, sob pena de virmos a
Nação mergulhada na total desordem administrativa, acintosamente
fabricada pelas forças ocultas para que o País não chegue nunca a ter
desenvolvimento sustentável com justiça social.
Esta revolução que esperamos
atinja plenamente os que ainda podem pensar e raciocinar tem de acontecer
em curto espaço de tempo, não mais de 10 anos, sob pena de virmos a
nação mergulhada na total desordem administrativa, eis que adrede
fabricada pelas forças ocultas para que o país não chegue nunca a ter
desenvolvimento sustentável com justiça social. Ela está
consubstanciada no manifesto AO POVO BRASILEIRO, no site
www.ecologia.org.br
Convocação
Todos podem ajudar; todos podem
aderir e fazer deste manifesto um grito pela mudança dos rumos da
Nação. Se não o fizermos, nossos descendentes nos culparão, mais cedo
ou mais tarde!
Você está convocado(a). Faça
parte desta força que busca, através da conscientização, esclarecer e
preparar as gerações atuais para que não sejamos responsabilizados
amanhã!
Ajude, divulgando
este manifesto.
Escreva para AME FUNDAÇÃO MUNDIAL DE ECOLOGIA – R.
Nicolau Espinosa Linhares, 118
CEP 06700-146 – COTIA/SP
amefundacao@uol.com.br
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